“Mãiêe! Celeiro é com c ou com s?” Pergunta o menino fazendo o para casa enquanto morde o lápis esperando pela resposta da mãe. É com c menino! Pausa e então vem outra pergunta: “E para que serve um celeiro?” Para guardar alimento como feijão, arroz, soja, trigo, etc. –“Ah! “brigado.” A resposta está correta. Um celeiro tem como utilidade estocar grãos enquanto esperam para ser exportados ou enviados para um destino qualquer. Existem vários deles por aí principalmente em regiões produtoras dos grãos ou nas proximidades dos portos e outros meios de escoamento. O Brasil, na verdade, é o maior ou pelo menos está entre os maiores produtores mundiais de grãos. Previsões mais otimistas falam mesmo de sermos o suprimento mundial de comida nas próximas décadas o que é uma ótima notícia para nós e principalmente para os países onde a fome já é uma realidade. No entanto, por falta não somente de mais celeiros, maiores e mais modernos, mas principalmente de um investimento e modernização do processo de transporte, tornando-o mais adequado e eficiente no escoamento desses grãos até os portos, muito do que se produz se perde nesses celeiros, trazendo também outra, mas desta vez triste estatística para o nosso país como um dos maiores desperdiçadores de alimento do mundo.
A Bíblia nos conta a história de José, o governador hebreu do Egito nos tempos de Faraó. José, antes um presidiário ainda que por causa de uma falsa acusação, foi levantado por Deus em tempo hábil para interpretar o sonho de Faraó, mas principalmente para administrar uma fome vindoura no Egito e no mundo. Ele mandou construir celeiros para estocar a safra de grãos produzida nos tempos de abundancia e assim quando chegou a fome havia alimento suficientemente guardado para alimentar o povo em tempos de crise.
Muito se tem ouvido falar sobre o Brasil como celeiro de missões. Se é verdade ou não, se mito ou realidade não vem ao caso no momento. O fato, entretanto, é que ainda que á passos lentos passamos da condição de campo missionário para enviadores de missionários para o mundo. Ainda com José em mente, precisamos entender que os celeiros precisam ser abertos de tempos em tempos, especialmente nos mais necessitados. O mundo está faminto ninguém pode negar. Existe uma fome generalizada e a maior delas se refere à fome espiritual que os povos estão passando. Enquanto isso, aqui nas “terras cabralis” estamos com os nossos celeiros abarrotados e correndo o risco de ver toda essa safra colhida já há anos, ser perdida. Entender o nosso papel de celeiro é tão primordial quanto entender a função de um celeiro. Esse, como vimos, tem sua utilidade na estocagem de grãos até que por sua vez, possam ser enviados ao seu destino.
Missionários existem para serem enviados, nunca guardados em “celeiros” como troféus de uma boa colheita. Nenhum deles se sente em casa, a não ser que exercendo seu papel de anunciador de boas novas àqueles que ainda não a ouviram” Tentar conservá-los na igreja é inútil e sufocante. Ser celeiro de missões é semear a visão missionária numa igreja, esperar o fruto da semeadura amadurecer, colhê-lo e enviá-lo para que possa alimentar os que precisam dele. Jesus disse que “se o grão de trigo não morrer, fica ele só; mas se morrer dá muito fruto” ( ). Infelizmente o que temos visto por aqui são celeiros abarrotados de grãos, mas sem uma estratégia ou facilitação para o envio deles aos campos. Muito do que temos colhido se perdeu por falta dessa visão: viabilizar o envio missionário. A burocracia brasileira, famosa no exterior, funciona também dentro da igreja. O missionário tem que literalmente “sair chorando enquanto semeia”, muitas vezes desestruturado emocionalmente pelo embate com as lideranças locais que mais atrapalham do que facilitam seus e envios. Alguns líderes preferem ver os seus missionários assentados em bancos ou lugar de destaque do que propriamente nos campos brancos deste mundo. Vivemos um tempo bastante complicado na evangelização mundial. Temos avançado em algumas áreas, mas ainda enfrentamos os “gargalos” de outras. Uma delas é o envio missionário. Quase sempre culpamos o dinheiro, quero dizer a falta dele, como “bode expiatório”. O dinheiro é importante e precisamos dele para enviar alguém, claro. Missões custa dinheiro e às vezes, muito. Como na produção de grãos, o transporte deles até o destino é a fase final do processo produtor e não pode ser negligenciada, uma vez jogaremos por terra tudo o que conquistamos. Não podemos nunca esquecer que celeiros são temporários e precisam ser esvaziados para dar vazão a uma outra safra.
Perguntamos por que surgem tão poucos missionários em nossas igrejas não é mesmo? Será que o motivo não é porque os candidatos em potencial não vêm os candidatos mais antigos